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Nada como ir ao cinema na segunda-feira para começar bem a semana. O filme? Tropa de Elite. Depois de ver uma cópia pirata, emprestada por uma amiga, queria ver o Capitão Nascimento na telona, finalizado, com o som certinho, cenas corrigidas e direito a texto introdutório. Sem a ansiedade, presente na primeira vez que o assisti, pude analisá-lo melhor. Um grande filme, muito bem feito.

O fato de ter levado mais de 2 milhões de brasileiros ao cinema e por isso ser o longa nacional mais visto do ano, já faz com que o filme mereça uma atenção especial. Mas seu mérito não está somente nas bilheterias. Com uma linguagem ligada a tradição documental e falando de um assunto que atinge a grande maioria dos brasileiros – a relação da classe média com o tráfico e a polícia, em especial o BOPE – o filme se transformou em um fenômeno.

Esse boom gerado pelo Tropa de Elite é muito fascinante para quem pensa na formação de público para o cinema nacional. Afinal, já está na hora dos brasileiros valorizarem os longas nacionais e pararem um pouco de ver enlatados norte americanos. Só com uma produção constante e de filmes com temas e propostas variadas que isso pode acontecer.

Reflexões a parte, o que me vem a cabeça toda vez que penso em Tropa de Elite é a sensação que ele me provocou nos cinco primeiros minutos de filme. Isso é impagável. E para mim, é a essência do cinema e o que move minha paixão pela sétima arte.

Isso me lembra os primórdios do cinema e a reação dos espectadores na primeira exibição pública de uma produção dos irmãos Lumiére em um café em Paris. Lumiére, em francês, significa luz, não poderia existir coincidência melhor. Seus filmes eram curtos documentários de empregados saindo do trabalho, da chegada do trem na estação, entre outras situações. Nesta exibição do trem, o público francês ficou muito assustado achando que ele sairia da tela e invadiria a sala. O que demonstra o impacto que as imagens em movimento tinham e continuam tendo, só que de forma diferente.

Site oficial de Tropa de Elite

14 Respostas para “Pega um, pega geral, também vai pegar você!”

  1. Camila disse

    Boa reflexão….e a idéia de relacionar o filme e o cinema atual com o primeiro cinema, nem preciso dizer que foi sensacional. O início do filme me deixou boquiaberta.
    E Capitão Nascimento se mostra cada vez mais um pegador…huahuha….está sugando nossas almas e, ironicamente, fazendo pegadinhas por aí e enganando muita gente com seu jeito cunfuso, ora fascista ora muito humano….
    Continue assim.
    Agradável leitura, ótima análise.

  2. cyntiacalhado disse

    Capitão Nascimento pegador
    uahuaahhuahuahahuhuauahua
    Essa é boa!

  3. Carolina disse

    Cy, fiquei muito feliz em ver esse blog!!!! Parabéns, você realmente tem dom para o cinema. Sinto-me lisongeada em saber que estou entrando em uma família com tantos talentos… seja esportes radiacais – rs, ou críticos de cinema.
    Tenho certeza que vamos ainda comemorar muitas outras críticas… Já consigo até ver as premiações!!!! Você Merece!!!! Já coloquei o site em meus favoritos e com certeza será um fator decisivo nas minhas escolhas para compra dos bilhetes…
    Um grande bj Carol

  4. Guilherme disse

    Eu tb estava mt curioso pra ver a versão final e, depois de assistir várias vezes em casa a versão pirata, fiz questão de PAGAR pra assistir no lugar de exibição que provavelmente estava na cabeça dos produtores, editores, etc: a telona!

    Com certeza um grande filme, principalmente quando levado em consideração os poucos recursos, o que justifica as pequenas falhas!

    Gostei mais da versão pirata, por incrível que pareça. A narrativa é bem mais envolvente. Fiquei com a impressão de ter sido um pouco aparada demais nas arestas a oficial, e isso tirou um pouco do impacto dos minutos iniciais. Mas não comprometeu o ótimo trabalho…

    Sobre o blog… Concordo com a Camila, está ótimo!

  5. rafael disse

    Putz, ja tá adiantando o trab do miele! oculta da sala, oculta. hahahahaha
    Eu ainda n vi no cinema, planejo fazer isso neste final de semana (interior + td mundo viajando = frank indo ao cinema no meio do mato).
    O maior problema do filme para mim é que mais uma vez caimos nos esteriótipos brasileiros. Enquanto Central do Brasil mostra a pobreza, nordeste (ehh vida severina) e afins, Tropa de Elite mostra como nossa polícia e o tráfico podem ser brutais.
    Já aproveito e dexo uma pergunta, você acha que há mocinhos no filme? Muitos dizem que o Capitão é, que os estudantes são cumplices e ruins por isso por financiarem o tráfico, que o tráfico é ruim (so lembrar do aspira perguntando pra namorada se favelado tem consciencia social). Não sei se enxergo tanto p/b. hehehehehe
    e vc?

    bj

  6. cyntiacalhado disse

    Pra mim não há mocinhos no filme Frank, todos são personagens complexos. O Capitão Nascimento é um cara que tortura, mata…Porém, ele supre uma carência da sociedade brasileira, na minha opinião. Sendo um polícial incorruptível, contra as drogas, um policial que não existe. Mas ele só pode ser considerado um herói pros fascistas.

  7. rafael disse

    Concordo, mas aproveitei pra gerar discussão, banquei o faro. hahahahahahaha
    O fato é, tem mta gente que vê assim. Isso foi capa da Veja. A revista mais lida e ng achou ruim. Dá medo isso.
    O filme é composto de personagens complexos, mas que são exibidos de uma forma que muitos não percebem. Será q somos anormais? hahahahaha

  8. cyntiacalhado disse

    Qnto a Veja, nem temos o que comentar…
    Mas é verdade, muita gente tá metendo o pau no filme sem argumentos consistentes. Falta de reflexão, uma pena.

  9. Alexandre disse

    Já anotei alguns trechos para usar no trabalho do Miele hehe…
    Uma coisa que percebi é que ninguém fala das duas músicas que são a trilha sonora do filme,
    o “Rap das Armas” (acho que é isso) e “Tropa de Elite”. Dá uma olhada na origem social e nos discursos das músicas (lembrando que as músicas não foram feitas para o filme).

  10. Deveria eu copiar e colar as minhas divagações antropológicas no msn sobre o filme? Ah, muita coisa né, e você pegou o espírito da idéia. Realmente, é a idéia de suprir muitas imagens/mitos para o público… E de um jeito que eu não esperava, o primeiro filme nacional que realmente me chamou a atenção.

    Sabia que o primeiro filme do blog ia ser este rs.
    Great post _o/

  11. Eli disse

    Oi Cy,
    Adorei a iniciativa. Pode ter certeza que vou acompanhar sempre!!! (Sempre q der… hehehe).
    Acho que você defende as suas opinões de maneia muito coerente e consistente!!
    Parabéns
    beijos

  12. a questão é que não existe mocinho nesse filme, acho que conseguiram chegar ao máximo da realidade, quando eu assisti pela primeira vez parecia que eu estava “ouvindo” uma música de Rap, nossa Face da Morte e Facção Central dizem a mesma coisa, só para se ter uma idéia, Facção Central já teve clip censurado, o juiz disse que era manual para bandido, pera ai: Pq o linha direta na globo ainda é exibio???

  13. cyntiacalhado disse

    vou dar uma olhada nas letras sim, valeu pelo toque! não tinha analisado esse aspecto do filme não.

  14. cyntiacalhado disse

    Cyntia, cade a critica ao filme muié???

    Quero ver isso aqui pegar fogo!

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