Apaixonantes…

Novembro 23, 2007

Passando por alguns sites, que por sinal estão entre os favoritos aqui do “A cinéfila”, selecionei textos de dois apaixonados pela sétima arte falando sobre o fazer cinema.

Este é um trecho do artigo “A arte da inequação” do diretor iraniano Abbas Kiarostami (Onde Fica a Casa do Meu Amigo?, Close-Up, Dez) publicado no Caderno Mais da Folha de S.Paulo em outubro de 2004.

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A arte da inequação

por Abbas Kiarostami

Fiz muitas coisas ao longo de minha vida e me servi de instrumentos diversos: a pintura, as artes gráficas, a publicidade, a televisão, o cinema, a fotografia, o vídeo, a poesia. Finalmente, fiz até mesmo teatro. E poderia acrescentar outras coisas a essa lista. Por exemplo, a certa altura de minha existência fiz carpintaria, quando decidi construir sozinho os móveis de minha casa, mesmo sabendo pouco sobre isso. Tudo isso, para mim, tem a ver com um problema de inquietude, com o fato de ter de sobreviver de qualquer maneira e reagir a um profundo sentimento de inadequação. Experimento continuamente a exigência de fazer qualquer coisa de novo para ser mais bem aceito. Muitos consideram que na vida é preciso estabelecer uma meta para encontrar o sucesso, mas eu não acredito que funcione dessa maneira. Talvez no mundo dos negócios ou no âmbito científico. Na arte, ao contrário, o aperfeiçoamento só pode surgir da inadequação. Pensamos ser inadequados, não bastante bons, e nos esforçamos para fazer algo diferente. Tenho uma amiga que é uma excelente tradutora. Não que tenha trabalhado muito como intérprete, mas, se lhe dão um texto em inglês ou em francês, ela é capaz de vertê-lo imediatamente e com grande facilidade ao persa, a ponto de nos fazer pensar que está lendo um texto já traduzido. Um dia eu lhe disse: “Se você fosse minha filha, eu a admiraria não pela sua capacidade, mas pelo fato de você jamais trabalhar”. Ela me deu uma resposta belíssima: “Estou contente comigo mesma. Não preciso ver meu nome na capa de um livro como tradutora”. Não há nenhuma razão especial pela qual eu tenha me tornado um realizador cinematográfico. Meu pai era caiador de paredes e não me lembro de nenhum sinal de vida cultural em minha família. Não vejo, no meio em que vivi, nenhum sinal particular que me houvesse encaminhado para a carreira artística e em especial para o cinema. Talvez seja por isso que até agora não tenha conseguido encontrar uma definição de cinema. Mas posso dizer do que não gosto nele. Não gosto quando se limita a contar uma história ou quando se torna um substituto da literatura. Não aceito que subestime ou exalte o espectador. Não quero estimular a consciência do espectador nem criar nele sentimentos de culpa. No mínimo, creio que se deveriam narrar os fatos de modo que ele não seja levado a sentir-se culpado. Se considerarmos que o cinema tem o dever de contar histórias, parece-me que o romance faz isso melhor. As novelas radiofônicas, os dramas e as “soap operas” [novelas] televisivas fazem, neste sentido, um bom trabalho.

Para ler na íntegra

Este é um publicado na Folha de S. Paulo no dia 22 de outubro de 2003, retirado do Blog do Inácio Araújo, crítico de cinema e meu professor =).

Cinema é feito por dulpas

Inácio Araújo

O cinema gosta de duplas: Gordo e Magro, Marlene e Von Sternberg, Dean Martin e Jerry Lewis, Coppola e Mario Puzo etc.

Cinema é um ato de amor, coisa que se faz a dois. Ou a três em certos casos, já que os irmãos Farrelly são dois (Peter e Bob) para começar. Talvez os dois Farrelly formem um termo, o segundo então seria Jim Carrey.

“Quem Vai Ficar com Mary?” ilustra bem o que ocorre com os Farrelly à distância de Jim. Eles usam bons atores (Cameron Diaz, Matt Dillon, Ben Stiller), mas as coisas parecem sair dos eixos - talvez por serem atores, não comediantes.

4 Respostas para “Apaixonantes…”

  1. larissaherbst disse:

    Muito bom esse texto do Abbas Kiarostami! Lembro que você comentou desse filme dele “Onde Fica a Casa do Meu Amigo?”… Quero ver!

    ;)

  2. Guilherme disse:

    Cy, eu li a versão integral do texto… Perfeito! o cara é praticamente um artista filósofo, mt bom… O curioso é que li ele de trás pra frente e achei melhor do que de frente pra trás.

  3. cyntiacalhado disse:

    O cara é um estudioso da linguagem cinematográfica.
    Muito inteligente.
    Assisti a 2 filmes dele, incríveis.
    Vale a pena!
    Vou escrever um post sobre eles, qndo eu tiver um tempinho. =)

  4. Rafael disse:

    Oi Cynthia!

    Parabéns pelo blog! Tudo está muito legal!
    Vou visitar mais vezes!
    Sucesso

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