o-amigo-da-minha-amiga2.jpg

Primeiro, gostaria de pedir desculpas aos ávidos leitores deste blog que se frustaram ao não encontrar post novos este mês. É que a mistura de quarto ano de faculdade, TCC, trabalho e curso de cinema não está sendo muito saudável para mim. Mal tenho tempo para respirar ultimamente. Mas, continuo vendo muitos filmes. Afinal, meu TCC é sobre cinema e sempre que encontro uma brecha na agenda a primeira coisa que faço é correr para a locadora, como uma boa cinéfila.

Confesso que tenho me decepionado com muitos dos filmes que assisti recentemente. E quando isso acontece o que fazemos? Corremos para os bons e confiáveis clássicos. O escolhido da noite foi O Amigo da Minha Amiga (1987) da série Comédias e Provérbios de Eric Rohmer. Nossa, que filme! Eu sou suspeita para falar, Rohmer é um dos meus diretores favoritos, só perde para o cineasta que é tema do cabeçalho deste blog.

Rohmer foi crítico de cinema, editor chefe da famigerada Cahiers du Cinéma e depois iniciou sua trajetória como cineasta em um período particularmente importante da história do cinema francês, a Nouvelle Vague (nova onda). O movimento era composto por Jean-Luc Godard, François Truffaut, Jacques Rivette, Claude Chabrol, entre outros, críticos e diretores da época que acreditavam no cinema autoral (mais informações sobre a Nouvelle Vague no post Homenagem ao cinema francês).

O caminho autoral que Rohmer seguiu foi o de fazer filmes tentando captar a simplicidade do mundo. O cineasta acredita que a poesia está nas coisas, nas pessoas e não em enquadramentos elaborados, por isso faz filmes tentando ocultar marcas de sua subjetividade. O que na prática não é bem assim, já que é praticamente impossível não reconhecer seus filmes, devido a algumas características das quais falarei logo mais. Ele segue uma linha teórica similar a de André Bazin no sentido de valorizar a representação do real. Outro cineasta que trabalha desta forma é o iraniano Abbas Kiarostami. Os esforços destes diretores estariam portanto a serviço de melhor contar determinada história. Filmes que tematizam o próprio cinema ou apresentam maior preocupação com a linguagem do que com a narrativa são considerados decadentes para o cineasta.

o-amigo-da-minha-amiga3.jpg

Quem assiste a um filme de Rohmer encontra histórias sobre o dia-a-dia de pessoas comuns, relacionamentos humanos, encontros casuais entre personagens que se transformam em grandes amizades, discussões sobre a natureza dos sentimentos e diálogos, muitos diálogos. Segundo o cineasta, seus filmes lidam “menos com o que as pessoas fazem do que com o que está passando pela cabeça delas enquanto elas estão fazendo isso. Um cinema de pensamentos, ao invés de um cinema de ações”. Seus protagonistas, muito conscientes de seus sentimentos, discorrem durante um longo tempo sobre a vida, o destino, o amor.

A câmera discreta, acompanha esses personagens adoráveis andando por cidades francesas, que acabam por se tornar personagens de seus filmes. Ele não usa figurantes e nenhum tipo de trilha sonora para dramatizar as situações. É a vida ali, em seu estado bruto e fascinante.

A filmografia do diretor é composta por três séries temáticas: os Contos Morais realizados nos anos 60 e 70, as Comédias e Provérbios, dos anos 80 e os Contos das Quatro Estações feito nos anos 80 e 90. Além das séries, o cineasta tem outros filmes.

Para quem está ansioso para assistir uma das obras do diretor, recomendo o Noites de Lua Cheia (1984), O Amigo da Minha Amiga (1987) e os todos os Contos das Quatro Estações.

Vídeo feito para o programa Espaço Unisanta da Universidade Santa Cecília (Santos, SP) sobre o diretor: