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Desde maio, não escrevo neste blog. É que como estudante do último ano de jornalismo na PUC, precisava me dedicar ao TCC. O resultado pode ser conferido em http://cinecaleidoscopio.com.br, site realizado com o objetivo de refletir sobre o cinema nacional contemporâneo. Como aprendi. Nossa, foi uma experiência maravilhosa. Falar com os críticos. Ver os filmes, muitos e muitos filmes. Pensar, pensar, escrever, pensar. Foi uma grande realização.

Bom, mas claro que, fora o TCC, continuei a ver muitos filmes. E o longa que inicia essa retomada do blog A Cinéfila é “O Curioso Caso de Benjamin Button”. É bem difícil escrever um texto sobre esse filme sem usar superlativos. Desde quando vi o trailer e li a sinopse do longa, sabia que ele tinha algo de especial. Estava bastante ansiosa para assisti-lo, pois tenho muito interesse sobre o tema do envelhecimento, da morte, de como as coisas mudam com o tempo, ou melhor, como nossa visão sobre as coisas muda radicalmente com o tempo.

Inspirado em um conto de F. Scott Fitzgerald e dirigido por David Fincher, o filme retrata a trajetória de Benjamin Button, menino que nasce com a aparência de um velho e vai rejuvenescendo conforme a passagem do tempo. O pai rejeita a criança e abandona-a na porta de um asilo, que passa a ser seu lar. Lá ele convive de perto com a morte, que leva, de tempos em tempos, várias das pessoas que habitam o lugar.

É triste notar como ele é sozinho a vida toda. Quando criança, não consegue brincar com outras pelo fato de estar aprisionado em um corpo de um senhor cerca de 80 anos, com artrite e sem poder andar. Porém, mesmo depois de ir remoçando, sua distância das pessoas continua enorme. O convívio com os idosos no asilo e sua vida nada convencional fazem com que ele adquira maturidade muito cedo. Isso se torna muito evidente em sua relação com a bela Daisy, uma bailarina no auge da carreira que esbanja autoconfiança e uma certa petulância juvenil, interpretada por uma irretocável Cate Blanchett.

Um acontecimento muda a dinâmica da relação entre eles. Por sinal, a seqüência é ótima e quebra o ritmo do longa até o momento. O fato acaba por aproximar Button e Daisy. Porém, há uma melancolia inerente àquela felicidade, pois sabe-se quão frágil e fulgaz ela é. Mas, não estaria este sentimento no centro de toda paixão? Talvez seja isso que mais emocione na história de Benjamin. Ele fala sobre temas que nos acompanham durante a vida. A cena em que o casal se vê refletido no espelho da escola de dança é de uma força. Ela resume o desejo de todo o apaixonado. Conseguir reter no tempo um instante de plena felicidade. Neste momento, Benjamin fala para Daisy ficar parada, pois ele gostaria guardar aquela imagem na memória. Arrepiante.

É interessante que o diretor passa longe das idealizações platônicas do amor e coloca o relacionamento afetivo em um plano muito realista. Para um casal se apaixonar e ficar junto é necessário que os objetivos sejam comuns, mas também que outros elementos conspirem a favor, como o acaso.

Brad Pitt merece nossa atenção neste filme. Ele surge na tela, na fase jovem do personagem, como uma figura sublime, etérea. Em algumas das cenas, tive a impressão de estar vendo James Jean, não por sua proposital aparência física e figurino, mas por sua interpretação. Ele tem lugar garantido entre os grandes ícones do cinema norte-americano, na minha opinião. Benjamin me lembrou Joe Black de “Encontro Marcado”, em que Brad Pitt interpretava a morte, talvez pela inadequação de ambos os personagens. 

Outro elemento notável no filme é a relação que se estabelece entre a natureza e a vida dos protagonistas. Benjamin trabalha em um barco, portanto seu caminho é determinado pela natureza. Daisy, já no final de sua vida, está internada em um hospital em Nova Orleans, ameaçado pelo furacão Katrina, que acaba por destruir parte da cidade. Ou seja, por mais que os homens queiram acreditar que têm controle sobre suas vidas, a natureza é mais forte e determina o rumo dos acontecimentos. Isso dá uma dimensão muito trágica à trajetória de Benjamin.    

Que bom que, de vez em quando, surjam produções como essa em Hollywood.