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	<title>A cinéfila</title>
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	<description>Blog de Cyntia Calhado</description>
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		<title>A cinéfila</title>
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		<title>Direto da Mostra</title>
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		<pubDate>Sun, 15 Nov 2009 17:19:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>cyntiacalhado</dc:creator>
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Não conseguiu ver tudo o que queria na Mostra Internacional de Cinema? Confira os filmes que estreiam em breve em circuito comercial
A 33ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo chegou ao fim. Os cinéfilos tiveram a oportunidade de ver 425 filmes de diversos países e gêneros, mas, com esta incrível oferta de títulos, muitos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cyntiacalhado.wordpress.com&blog=2082627&post=173&subd=cyntiacalhado&ref=&feed=1" />]]></description>
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<p><em>Não conseguiu ver tudo o que queria na Mostra Internacional de Cinema? Confira os filmes que estreiam em breve em circuito comercial</em></p>
<p>A <strong>33ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo</strong> chegou ao fim. Os cinéfilos tiveram a oportunidade de ver 425 filmes de diversos países e gêneros, mas, com esta incrível oferta de títulos, muitos longas interessantes podem ter ficado fora da lista. Dos filmes que integraram a seleção, confira os que já estão em circuito e as datas daqueles que podem ser vistos, ou revistos, em breve nas salas de cinema.</p>
<p><strong>Em cartaz</strong></p>
<p><strong><em>À Procura de Eric</em>, de Ken Loach<br />
</strong>O ponto alto desta comédia que abriu a Mostra é o roteiro, que abre espaço para a fantasia. Nele, Eric Bishop (Steve Evets), um resignado carteiro de classe média baixa cheio de problemas, vê sua vida tomar outro rumo quando, como em um passe de mágica, começa a receber visitas do polêmico jogador do Manchester e da seleção francesa dos anos 90, Eric Cantona &#8211; representado pelo próprio atleta. As engraçadas metáforas que o jogador usa para encorajar o xará são uma atração à parte. </p>
<p><strong><em>500 Dias com Ela</em>, de Marc Webb<br />
</strong>Esta deliciosa e criativa comédia romântica marca a estreia do diretor de videoclipes Marc Webb em longas. Subvertendo uma das regras do gênero, o personagem masculino Tom (Joseph Gordon-Levitt) é quem idealiza o amor em oposição à garota por quem ele se apaixona, Summer (Zooey Deschanel), que desde o início deixa claro que não quer um relacionamento sério. Outro diferencial do longa é a quebra da linearidade narrativa, por meio do intenso uso de flash-backs e flash-fowards, usada para descrever as etapas do relacionamento de 500 dias do casal. A trilha sonora, com canções de The Smiths, Black Lips, Feist, Simon &amp; Garfunkel e Carla Bruni, possui referências a outros longas e a ícones da cultura pop, além da incorporação de um número musical e o figurino vintage de Summer, que ajudam a compor o clima. Esta produção norte-americana guarda alguns paralelos com o nacional <em>Apenas o Fim</em>, de Matheus Souza.</p>
<p><strong><em>Hotel Atlântico</em>, de Suzana Amaral</strong><br />
A diretora abandona o universo feminino neste terceiro filme que acompanha a trajetória de um homem solitário (Júlio Andrade) que viaja sem rumo ao sul do Brasil. Assim como em <em>Cão Sem Dono</em>, estreia de Júlio como protagonista no cinema, este longa revela um mundo distópico, em que o deslocamento do personagem parece não ter objetivo que não seja evitar a inércia ou buscar viver unicamente o momento presente, sem nenhuma esperança. Mariana Ximenes, João Miguel e Gero Camilo também integram o elenco.</p>
<p><strong>Dezembro</strong></p>
<p><strong><em>Abraços Partidos</em>, de Pedro Almodóvar</strong><br />
Quem acompanha a obra do diretor espanhol vai estranhar esta produção que, distante do potencial altamente questionador e subversivo de suas obras dos anos 80, retrata pela primeira vez um homossexual enrustido e complexado e uma mulher que se submete à violência masculina. Paternidade secreta, amores proibidos e terríveis acidentes compõem, como dita o gênero, este melodrama protagonizado por Penélope Cruz. Um de seus pontos altos é o filme dentro do filme, em que Almodóvar faz referência a <em>Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos</em>.</p>
<p><strong><em>Aconteceu em Woodstock</em>, de Ang Lee</strong><br />
Depois do magnífico drama <em>Desejo e Perigo</em>, premiado com um Leão de Ouro em Veneza, Ang Lee faz uma incursão no universo da comédia neste longa filmado em Hollywood. A abordagem do festival, que ficou para a história, é bastante original. O roteiro explora o processo de negociação do terreno em que seria realizado o evento, na interiorana cidade de White Lake, e as progressivas mudanças que o local vai sofrendo até o festival finalmente começar. A história é contada a partir do protagonista Elliot Tiber (Demetri Martin), o caricatural filho dos donos de um dos humildes hoteis que abrigaram aqueles jovens hippies. Lamentavelmente, o filme não explora a trilha sonora como poderia e, na tentativa de criar momentos cômicos, a mãe do protagonista acaba por cansar pelo exagero.</p>
<p><strong>Fevereiro</strong></p>
<p><strong><em>Soul Kitchen</em>, de Fatih Akin</strong><br />
Nada como ser surpreendido na Mostra. Com tantos filmes, muitas vezes a escolha dos títulos é feita por duas linhas de sinopse, premiações em festivais anteriores ou pelo diretor, como foi o caso deste longa. Não havia assistido aos outros filmes deste cineasta alemão de origem turca, mas resolvi apostar. Soul Kitchen se revelou uma deliciosa comédia que aborda a vida de Zinos (Adam Bousdoukos), jovem proprietário de um restaurante que passa por diversos contratempos, desde a ida da namorada para Xangai até uma hérnia de disco que obriga o personagem a andar mancando durante grande parte do longa, o que produz sequências hilárias. O irmão de Zinos, Illias (Moritz Bleibtreu), o cozinheiro Shayn (Birol Ünel) e a garçonete (Anna Bederke) se unem ao protagonista, formando uma rede de solidariedade e carinho, em uma espécie de nova configuração da família na contemporaneidade para ajudá-lo a se livrar das confusões.</p>
<p><strong>Março</strong></p>
<p><strong><em>Corações em Conflito</em>, de Lukas Moodysson</strong><br />
Leo (Gael Garcia Bernal) e Ellen (Michelle Williams) são um bem-sucedido e apaixonado casal que vive em Nova Iorque, com sua pequena filha e a babá de origem filipina. O longa se estrutura em multi-plots, tendência em alta no cinema contemporâneo transnacional, sendo um dos núcleos nos Estados Unidos, outro na Tailândia (onde o marido vai viajar a trabalho) e o terceiro nas Filipinas, em que moram os filhos da babá. Lukas Moodysson, na tentativa de abordar a globalização e a relação de exploração capitalista dos países desenvolvidos aos subdesenvolvidos (prefiro este termo ao utópico em desenvolvimento), faz um filme-tese, produzindo situações artificiais, como a presença de crianças em todos os núcleos para justificar o sacrifício dos pais e o foco no país em que foi produzida a bola de basquete comprada nos Estados Unidos para o menino filipino. Nota-se uma forte filiação entre este longa e <em>Babel</em>, do mexicano Alejandro González Iñárritu.  </p>
<p><strong>Abril</strong></p>
<p><strong><em>A Batalha dos Três Reinos</em>, de John Woo</strong><br />
Inspirado em uma batalha do livro <em>Romance dos Três Reinos</em>, escrito por volta do ano 1350, este longa, que ostenta o título da mais cara produção do cinema chinês, tem todos os clichês de uma super-produção épica de guerra: batalhas monumentais, muito sangue, heroísmo, efeitos visuais, cenários suntuosos e maniqueísmo. Os astros do cinema chinês Takeshi Kaneshiro e Tony Leung compõem o elenco deste que, entre estratégias de guerra, discute amor, ódio, vingança, dever e honra.</p>
<p>Publicada no <a href="http://guiadasemana.com.br/Sao_Paulo/Cinema/Noticia/Direto_da_Mostra.aspx?id=58550" target="_blank">Guia da Semana</a></p>
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		<title>Era uma vez&#8230;</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Oct 2009 22:04:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>cyntiacalhado</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Como a busca por ampliação de público retirou as animações infantis do mundo do faz de conta
Não consigo conceber uma análise da nova animação da Disney Pixar Up &#8211; Altas Aventuras sem levar em conta minha experiência infantil como espectadora do gênero. Apesar de acompanhar a maior parte da produção cinematográfica, desde os filmes comerciais [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cyntiacalhado.wordpress.com&blog=2082627&post=155&subd=cyntiacalhado&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p style="text-align:center;"><em><img class="aligncenter size-full wp-image-163" title="up4" src="http://cyntiacalhado.files.wordpress.com/2009/10/up4.jpg?w=350&#038;h=418" alt="up4" width="350" height="418" /></em></p>
<p style="text-align:left;"><em>Como a busca por ampliação de público retirou as animações infantis do mundo do faz de conta</em></p>
<p>Não consigo conceber uma análise da nova animação da Disney Pixar <em>Up &#8211; Altas Aventuras </em>sem levar em conta minha experiência infantil como espectadora do gênero. Apesar de acompanhar a maior parte da produção cinematográfica, desde os filmes comerciais até os com perfil autoral e artístico, tenho grande resistência a assistir os filmes contemporâneos da Disney Pixar ou Dreamworks. Com o objetivo de desmistificar meu preconceito, fui ver o longa propositalmente em uma sala da rede Cinemark, na sessão das 13h20, junto com as crianças, em teoria, o público alvo do filme. </p>
<p>Já dentro da sala, acompanhava as famílias e casais de namorados entrando com um suprimento de comida similar ao estocado em casos de nevasca ou ameaça nuclear. Entre baldes de pipoca, hambúrgueres do McDonald´s, <em>nuggets</em>, refrigerantes e doces, alguns pais fotografavam os filhos fazendo poses com os óculos para filmes em 3D. Neste momento, só conseguia pensar que, para aquelas pessoas, os filmes são um produto como qualquer outro. Acostumada com as salas do circuito de arte da região da Paulista e cineclubes da cidade, em que a maioria dos espectadores encara o cinema como obra de arte, apesar de seu caráter intrinsecamente comercial, estava muito incomodada naquele ambiente e torcendo para que o filme finalmente começasse.</p>
<p>Para minha surpresa, <em>Up &#8211; Altas Aventuras</em> não me irritou tanto quanto outras animações que, na pretensão de alcançar o público de todas as idades, procuram ser descoladas, com personagens anti-heróis, incontáveis referências à cultura pop e paródias de outros filmes. Nesta ânsia pela bilheteria, os roteiros das animações atuais acabam tão modernos, que só os adultos entendem. Ou alguém acha que <em>Shrek</em> foi feito para crianças?</p>
<p>Apesar de ter elementos lúdicos e fantasiosos herdados das animações clássicas, como a ideia de transformar uma casa em dirigível colocando milhares de balões na chaminé, <em>Up</em> aborda temas delicados como a morte, a velhice e a abdicação dos sonhos devido aos compromissos e obrigações da vida. A narrativa incorpora aspectos modernos, com a inserção de um cinejornal em preto e branco logo na abertura do longa. Depois, por meio de uma sequência bastante rápida de imagens sem som, a vida do protagonista e de sua mulher é retomada em um <em>flashback</em>. Sem dúvida, uma criança não consegue compreender estas duas sequências, o que não acarreta muitos prejuízos ao entendimento do resto da trama, mas elas só se justificam tendo em vista a ampliação da audiência ao público adulto.</p>
<p>Outro aspecto que me incomoda nas animações pós-modernas destes dois estúdios é o compromisso com o naturalismo. A Disney Pixar e Dreamworks parecem apostar na ideia de que o espectador médio relaciona realismo com maior qualidade técnica e, por isso, não promove nenhuma inovação nos traços. Isto contradiz uma das maiores riquezas da computação gráfica que é a de ser uma ferramenta de ampliação da liberdade criativa e experimentação estética.</p>
<p>Mas grande parte da minha resistência a estas produções está na nostalgia dos desenhos que fizeram parte de toda minha infância, época em que eu não sabia o que era indústria cultural, nem notava que os personagens bons eram sempre belos e os maus, feios, e nunca tinha parado para pensar que não existia uma princesa da Disney negra.</p>
<p>Apesar de ter uma visão crítica, hoje, sei que <em>Cinderela</em>, <em>O Rei Leão</em>, <em>Pocahontas</em>, <em>A Bela e a Fera</em>, <em>A Pequena Sereia</em> e outras tantas animações que eu assistia repetidamente (e sabia de cabeça todas as falas) me marcaram de forma definitiva.</p>
<p>Nestes desenhos, o mundo era pleno de ilusão e fantasia, o mocinho defendia a mocinha até as últimas consequências, o amor, a inocência e a bondade eram valores supremos e, depois de muitos desafios embalados por emocionantes sequências musicais, as histórias tinham finais felizes e redentores. A estrutura desses desenhos era didática, linear e muito similar a de um musical clássico.</p>
<p>Para a alegria dos defensores das animações 2D, a Disney lançará, em dezembro, <em>A Princesa e o Sapo</em>, desenhada a mão. Além de retomar a atmosfera fantástica das animações clássicas, o desenho repara a falta de uma princesa negra.</p>
<p>Podem me acusar de saudosismo, mas, apesar de saber que o homem da minha vida não virá de cavalo branco ou me encontrará graças a um sapato de salto que eu perca na porta de uma balada, acredito que a ilusão e magia dos antigos desenhos da Disney ainda me acompanham e me ajudam a manter esperança na vida e em alcançar meus sonhos neste complexo mundo contemporâneo.</p>
<p>Publicada no <a href="http://www.guiadasemana.com.br/Sao_Paulo/Cinema/Noticia/Era_uma_vez_.aspx?id=57877" target="_blank">Guia da Semana</a></p>
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		<title>Crônica de um verão</title>
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		<pubDate>Wed, 05 Aug 2009 13:15:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>cyntiacalhado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema brasileiro]]></category>
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Drama familiar em cenário paradisíaco evidencia salto do diretor pernambucano
Apesar das qualidades de O Cheiro do Ralo, é nítido o amadurecimento de Heitor Dhalia em À Deriva. O filme acompanha Felipa, jovem de 14 anos, alter ego do cineasta, já que o roteiro tem inspiração autobiográfica. Em viagem de férias para uma praia idílica, ela [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cyntiacalhado.wordpress.com&blog=2082627&post=145&subd=cyntiacalhado&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><em><img class="aligncenter size-full wp-image-146" title="aderiva" src="http://cyntiacalhado.files.wordpress.com/2009/08/aderiva.jpg?w=460&#038;h=280" alt="aderiva" width="460" height="280" /></em></p>
<p><em>Drama familiar em cenário paradisíaco evidencia salto do diretor pernambucano</em></p>
<p>Apesar das qualidades de <em>O Cheiro do Ralo</em>, é nítido o amadurecimento de Heitor Dhalia em <em>À Deriva</em>. O filme acompanha Felipa, jovem de 14 anos, alter ego do cineasta, já que o roteiro tem inspiração autobiográfica. Em viagem de férias para uma praia idílica, ela presencia a crise do relacionamento de seus pais, o caso extraconjugal do pai e, em meio a esse caos familiar, começa a descobrir sua sexualidade.</p>
<p>A atriz estreante, descoberta pelo Orkut, consegue traduzir as emoções de Felipa no olhar, apesar de demonstrar limitações na impostação da voz. Débora Bloch está madura e plena no papel da mãe alcoólatra. Porém, a escolha da norte-americana Camilla Belle parece um tanto problemática. A atriz é muito nova para interpretar a amante de Mathias, pai da protagonista, e isso transparece na tela. Mas sua escalação, assim como a do francês Vincent Cassel para viver o pai, é justificada pela pretensão do diretor de alçar voo no mercado internacional.</p>
<p>A personagem de Laura Neiva é uma espécie de Lolita, que mistura inocência e forte sensualidade. A opção por uma menina para protagonista, em vez de um menino, que se aproximaria mais da experiência de vida do cineasta, resulta em um ganho dramático notável. O longa induz de forma sutil um Complexo de Édipo mal resolvido entre Felipa e seu pai. Os dois têm um relacionamento muito próximo até que a jovem descobre sua infidelidade. Mathias estaria não só traindo a mãe como principalmente a filha, levando em conta a interpretação psicanalítica. Este sentimento faz com que Felipa vá diversas vezes espioná-lo, chegando a assistir a uma das cenas de sexo que ele tem com a amante. Fora a relação edipiana, o acontecimento estilhaça a imagem heróica do pai, construída pelos filhos de forma geral.</p>
<p>Todos esses conflitos se agravam, pois a jovem está na puberdade, fase de transição crítica por si só. Depois de se relacionar com um menino da mesma turma e idade, a protagonista elege o barman, interpretado por Cauã Reymond, para perder a virgindade. Além de ser mais velho, o personagem teve um caso com a amante de Mathias. A partir da lógica de análise, não seria leviano afirmar que a escolha de Felipa reflete um desejo inconsciente de se colocar como possível parceira sexual para o pai. A perda da virgindade, símbolo máximo da passagem da infância para a idade adulta, também demonstra a vontade da personagem de se libertar da imagem de criança.</p>
<p>Além de um roteiro muito bem engendrado, Heitor Dhalia demonstra habilidade em aproveitar o tempo, abdicando da pressa que dita muitas das produções contemporâneas, e o potencial do cenário, realizando notáveis tomadas de Felipa e suas amigas na água e da geografia litorânea. A trilha sonora contribui para a construção dramática do filme. O tema musical condutor de <em>À Deriva</em> tem notas de piano que remetem imediatamente às de <em>Central do Brasil</em>, o que não é apenas coincidência, já que Antônio Pinto é o autor de ambas as trilhas, assim como as de <em>Nina</em>, <em>Terra Estrangeira</em>, <em>Abril Despedaçado</em> e <em>Cidade de Deus</em>.</p>
<p>Essa confluência de acertos alcança seu nível máximo na sequência final, que recria uma sensibilidade característica dos filmes de Walter Salles, em que, logo depois de se relacionar com o personagem de Cauã Reymond, Felipa desce do barco conduzida pelo personagem, nada até chegar a orla e encontra o pai, que estava procurando-a há tempos. Neste instante, o cineasta nos agracia com uma das mais belas cenas do cinema nacional contemporâneo. O diretor filma-a de cima, com calma, e vemos os dois em um longo abraço enquanto as ondas fazem marcantes desenhos na areia ao som da magnífica música.</p>
<p>Grande passo de Heitor Dhalia.</p>
<p>Publicada no <a href="http://guiadasemana.com.br/Sao_Paulo/Cinema/Noticia/Cronica_De_Um_Verao.aspx?id=56604" target="_blank">Guia da Semana</a>.</p>
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		<title>O frescor de retratar o mundo aos 19 anos</title>
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		<pubDate>Fri, 26 Jun 2009 15:28:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>cyntiacalhado</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Produção de baixíssimo orçamento faz raio X da juventude contemporânea
Segundo um amigo meu, estudante de cinema, términos de relacionamento são temas muito recorrentes nos roteiros dos curtas de seus colegas, aspirantes a cineastas. Arrisco afirmar que a tendência se justifica no fato de os rompimentos amorosos serem um dos primeiros e, normalmente, mais marcantes dramas [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cyntiacalhado.wordpress.com&blog=2082627&post=138&subd=cyntiacalhado&ref=&feed=1" />]]></description>
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<p><em>Produção de baixíssimo orçamento faz raio X da juventude contemporânea</em></p>
<p>Segundo um amigo meu, estudante de cinema, términos de relacionamento são temas muito recorrentes nos roteiros dos curtas de seus colegas, aspirantes a cineastas. Arrisco afirmar que a tendência se justifica no fato de os rompimentos amorosos serem um dos primeiros e, normalmente, mais marcantes dramas que alguém de 20 e poucos anos sofre. Lidar com a rejeição do parceiro e com o fim das ilusões românticas faz parte do amadurecimento.</p>
<p>Apesar da forte carga dramática que o assunto suscita, o longa de estreia de Matheus Souza, <em>Apenas o Fim</em>, não é melancólico, aspecto que se configura como uma das fragilidades do filme. Após a personagem de Érika Mader anunciar ao namorado que está indo embora em uma hora, o que corresponde ao tempo que lhes resta como casal, os dois especulam sobre o futuro e fazem um balanço do relacionamento enquanto andam pelo campus da PUC-RJ. Estas sequências são intercaladas com <em>flashbacks</em>, em preto e branco, de momentos da vida dos personagens.</p>
<p>Durante o diálogo, diversos ícones da cultura pop e objetos de consumo cultural de uma geração são evocados, desde o Orkut e o Playstation, a Cavaleiros do Zodíaco, Pokémon e Transformers, até Backstreet Boys e Radiohead. Mistura-se neste caldeirão de referências Bergman e Godard, afinal os personagens são estudantes de cinema. Em uma sociedade em que você é o que consome, estes símbolos surgem como forma de conhecermos os personagens. A metáfora entre o amor e os hambúrgueres do McDonald´s, feita pelo personagem de Gregório Duvivier, também diz muito sobre esta geração e o caráter fluido das relações na contemporaneidade.</p>
<p><em>Apenas o Fim</em> é um filme feito por jovens e para jovens. Érika e Gregório transpiram leveza, vivacidade e despreocupação. Ela quer ser atriz, ele roteirista. Os tons verde claro das árvores do campus e a fotografia luminosa se aliam à força dos atores, principalmente da inquieta personagem de Érika, na composição desta imagem da potencialidade da juventude. O fato de a garota andar sem parar, fazendo com que seu namorado esteja sempre a segui-la, reflete sua necessidade por novas experiências e descobertas. Apesar de não revelar seu destino, é provável que a garota esteja rumo a um intercâmbio, viagem que simboliza uma espécie de rito de passagem para grande parte dos jovens de classe média brasileiros.</p>
<p>Ao mesmo tempo em que condensa características universais desta faixa etária, o filme traz a aura da juventude carioca, por meio das gírias e do modo peculiar de se portar e se vestir. A levada mansa da canção dos Los Hermanos, grupo fundado por estudantes da PUC-RJ, que encerra o longa, também ajuda a caracterizar o clima desta geração.</p>
<p>O filme foi realizado com baixíssimo orçamento em esquema de produção quase amador, em que todos trabalharam de graça, com exceção do técnico de som. Os protagonistas eram colegas de Matheus, e os equipamentos, emprestados da faculdade. Estas características, somadas aos diálogos coloquiais bem elaborados e à filmagem com câmera na mão, remetem a longas de alguns dos “jovens turcos” da <em>nouvelle vague</em> francesa.</p>
<p>O próprio diretor confirma o nítido parentesco de <em>Apenas o Fim</em> com <em>Antes do Amanhecer</em> e <em>Antes do Anoitecer</em> de Richard Linklater. Woody Allen também é uma importante referência, assim como os filmes do brasileiro Domingos de Oliveira, que atualmente desenvolve projetos com o cineasta estreante.</p>
<p>Apesar das limitações devido à inexperiência e aos escassos recursos técnicos, o despretensioso longa de Matheus é um convite a viagens nostálgicas à época da universidade ou, para os que têm 20 e poucos anos, um lembrete de que vivem a melhor parte de suas vidas. Que sua corajosa empreitada sirva de incentivo a novos diretores e que o frescor deste seu primeiro filme torne-se uma marca de sua filmografia.</p>
<p> Aguardaremos.</p>
<p>Publicada no <a href="http://guiadasemana.com.br/Sao_Paulo/Cinema/Noticia/Retratar_o_mundo_aos_19_anos.aspx?id=55636#" target="_blank">Guia da Semana</a></p>
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		<title>A Cinéfila na Revista da Hora</title>
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		<pubDate>Tue, 23 Jun 2009 14:31:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>cyntiacalhado</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A Cinéfila está famosa! O blog foi destacado em matéria da Revista da Hora, do Jornal Agora, junto como outros nove sites para se informar sobre cinema. A lista, publicada em 19 de abril, também inclui o IMDB, a Ilustrada no Cinema e o Cineclick. Confira!

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			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><em>A Cinéfila</em> está famosa! O blog foi destacado em matéria da <em>Revista da Hora</em>, do <em>Jornal Agora</em>, junto como outros nove sites para se informar sobre cinema. A lista, publicada em 19 de abril, também inclui o IMDB, a <em>Ilustrada no Cinema</em> e o <em>Cineclick</em>. Confira!</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-131" title="cy" src="http://cyntiacalhado.files.wordpress.com/2009/06/cy.jpg?w=460&#038;h=292" alt="cy" width="460" height="292" /></p>

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		<title>Fé em xeque</title>
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		<pubDate>Fri, 22 May 2009 14:12:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>cyntiacalhado</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Uma das obras primas de Bergman reflete questionamentos religiosos do diretor
De 1956, O Sétimo Selo é baseado na peça O Retábulo da Peste que Ingmar Bergman escreveu para seus alunos da Escola de Teatro de Malmö. O longa, filmado em 35 dias, acompanha a trajetória do cavaleiro Antonius, que acaba de voltar das Cruzadas com [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cyntiacalhado.wordpress.com&blog=2082627&post=110&subd=cyntiacalhado&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><em><img class="aligncenter size-full wp-image-111" title="O sétimo selo" src="http://cyntiacalhado.files.wordpress.com/2009/05/o-setimo-selo.jpg?w=460&#038;h=329" alt="O sétimo selo" width="460" height="329" /></em></p>
<p><em>Uma das obras primas de Bergman reflete questionamentos religiosos do diretor</em></p>
<p>De 1956, <em>O Sétimo Selo</em> é baseado na peça <em>O Retábulo da Peste</em> que Ingmar Bergman escreveu para seus alunos da Escola de Teatro de Malmö. O longa, filmado em 35 dias, acompanha a trajetória do cavaleiro Antonius, que acaba de voltar das Cruzadas com seu escudeiro, e é surpreendido com a figura da Morte. Diante da notícia que iria morrer, o protagonista propõe que seu destino seja decidido em uma partida de xadrez.</p>
<p>Este prolongamento da vida faz com que o personagem resolva fazer uma última boa ação &#8211; ajudar um casal de atores – ao mesmo tempo em que ele entra em um processo de dúvidas, incertezas e angústia sobre a fé e Deus. Afinal, ele matou em nome do catolicismo, vê as injustiças cometidas pela Inquisição, a Europa assolada pela peste negra e pela fome e um fanatismo religioso extremamente destrutivo. Como poderia existir Deus em tal cenário?</p>
<p>No livro <em>Imagens</em>, o diretor reconhece que <em>O Sétimo Selo</em> está impregnado de suas concepções religiosas em diferentes períodos da vida. Os questionamentos do protagonista são reflexos dos de Bergman que, como filho de pastor luterano, teve uma educação muito rígida marcada pelas visitas frequentes a igreja e pelos sentimentos de culpa, pecado, castigo, perdão, confissão e indulgência.</p>
<p>Antonius carrega resquícios da fé infantil de Bergman, que podem ser observados por seu o hábito de rezar e de se confessar, o medo da morte e a crença em uma vida para além deste mundo. Mas, ao mesmo tempo, o personagem busca o conhecimento como forma de se libertar dos dogmas religiosos, como a existência de Deus, que ele tanto coloca em dúvida. O cavaleiro tem como antagonista Jons, seu escudeiro, personagem extremamente racional que não acredita em nada além da vida na Terra. </p>
<p>A proposta do jogo de xadrez não é casual, ela reforça a tentativa do personagem de se livrar da lógica do misticismo. Além de suas peças serem alegorias da estratificação da sociedade medieval, o resultado de uma partida de xadrez depende exclusivamente da habilidade dos jogadores. Trata-se, portanto, de um jogo que exalta o livre-arbítrio, e não o acaso ou destino, como os dados. Já a construção desmistificada da personagem da Morte, um homem com o rosto pintado de branco &#8211; como o de um palhaço &#8211; que jogava xadrez, conversava e até fazia brincadeiras, é uma tentativa de combater as representações religiosas da figura com ironia.</p>
<p>A família dos atores Jof e Mia representam a idéia de que o homem é um ser sagrado, que o diretor afirma ser seu conceito de religiosidade na maturidade. Com uma certa inocência e alegria infantis, eles divertem o público do vilarejo, cantam, dançam e brincam. A cena em que os personagens comem morangos silvestres e leite é emblemática, pois demonstra a fascinação do cavaleiro com aquela vida simples e sem preocupações que vivem os artistas. Não por acaso, eles são os únicos que sobrevivem. Talvez seja o tipo de concepção de vida que Berman gostaria que prevalecesse no mundo. </p>
<p>Uma das sequencias mais marcantes de <em>O Sétimo Selo</em>, que se tornou célebre, é a que os personagens são conduzidos pela Morte em uma dança. Curiosamente, ela não foi realizada pelos atores, que já haviam ido embora quando Bergman decidiu chamar assistentes de produção e turistas para realizar a cena, aproveitando o formato das nuvens no céu. A dança final pode ser interpretada como a conscientização dos personagens em relação à morte, pois, se não houver nada depois da vida, deve-se celebrar este último instante, mas caso exista, não há porque temer, por isso eles abandonam o medo e vão felizes ao encontro deste lugar misterioso.</p>
<p>Publicada no <a href="http://www.guiadasemana.com.br/Sao_Paulo/Cinema/Noticia/Fe_em_xeque.aspx?id=54891" target="_blank">Guia da Semana</a></p>
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		<title>O cinema comercial brasileiro no Divã</title>
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		<pubDate>Sat, 02 May 2009 17:36:26 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[
Novo filme de José Alvarenga Jr. é a mais nova aposta da Total Entertainment em busca do grande público
Divã de José Alvarenga Jr. estreia com o desafio de repetir o sucesso da peça de Marcelo Saback, que ficou em cartaz por três anos e foi vista por 175 mil espectadores. Assim como a peça, adaptação [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cyntiacalhado.wordpress.com&blog=2082627&post=105&subd=cyntiacalhado&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><em><img class="aligncenter size-full wp-image-107" title="foto_divulg_061" src="http://cyntiacalhado.files.wordpress.com/2009/05/foto_divulg_061.jpg?w=460&#038;h=306" alt="foto_divulg_061" width="460" height="306" /></em></p>
<p><em>Novo filme de José Alvarenga Jr. é a mais nova aposta da Total Entertainment em busca do grande público</em></p>
<p><em>Divã</em> de José Alvarenga Jr. estreia com o desafio de repetir o sucesso da peça de Marcelo Saback, que ficou em cartaz por três anos e foi vista por 175 mil espectadores. Assim como a peça, adaptação do livro da gaúcha Martha Medeiros, o filme acompanha a vida de Mercedes, mulher de classe média na faixa dos 40 anos, casada, com dois filhos, que decide ir ao terapeuta por curiosidade. Ao longo da história, percebe-se que a vida perfeita, então descrita pela personagem na primeira sessão com o analista, esconde doses de comodismo e marasmo. A análise faz com que Mercedes promova uma reviravolta em sua vida, com direito à traição, divórcio e namorado 20 anos mais novo.</p>
<p>O longa garante muitas risadas. As interpretações de Lília Cabral e de Alexandra Richter, amiga da protagonista, são pontos altos do filme. O diretor comete alguns deslizes, como o incidente com a amiga, que introduz uma quebra no ritmo da comédia completamente dispensável, ou a cena em que Gianecchini termina com Mercedes enquanto uma tempestade se forma no céu, gerando um clichê terrível. Assim como estes, há outros momentos bastante toscos, mas que não chegam a comprometer a diversão.</p>
<p>O elenco estelar, composto por Lília Cabral, José Mayer, Reynaldo Gianecchini e Cauã Reymond, se alia à trama universal &#8211; um casal em crise – e grandes doses de humor na tentativa de conquistar o público. Essa combinação não lembra <em>Se Eu Fosse Você 2</em>? Sem dúvida. <em>Divã</em> guarda várias semelhanças com o recordista de bilheteria da retomada. Ambos os filmes são produzidos pela Total Entertainment, responsável também por <em>Avassaladoras</em>, <em>Sexo, Amor e Traição</em>, <em>A Guerra dos Rocha</em>, entre outros longas com perfil comercial. A produtora aposta na estratégia do <em>cross-over</em>, filmes que atinjam todas as classes sociais e idades para obter sucesso de público. Outro ponto em comum entre <em>Divã</em> e o último longa de Daniel Filho é o grande investimento em publicidade, indispensável para que eles cheguem em seu potencial espectador. Mas a equação não é tão simples. É muito difícil conseguir o feito de <em>Se Eu Fosse Você</em>, pois não há como prever a recepção do público.</p>
<p>Assim como Daniel Filho, José Alvarenga Jr. se formou na televisão, dirigindo seriados de sucesso, como <em>Os Normais</em>, <em>Sai de Baixo</em>, <em>A Diarista</em> e, atualmente, <em>Força Tarefa</em>. Já no cinema, foi responsável pela direção dos últimos filmes dos Trapalhões que, junto com os longas da Xuxa, são as franquias mais bem sucedidas da história do cinema nacional.</p>
<p><em>Divã</em> <span>marca</span> a <span>estreia</span> de <span>Lília</span> Cabral como protagonista no cinema, o que é de se espantar, afinal uma grande atriz <span>da</span> televisão só agora <span>interpreta</span> um papel de destaque em um <span>longa</span>. E ela não é a única. Assim como os diretores da televisão migram para o cinema, os atores de novela devem fazer o mesmo, pois é uma forma de alavancar público para o cinema nacional. Não que filmes experimentais e com propostas mais artísticas não devam ser feitos. Eles devem coexistir com produções que se comuniquem com o grande público para a construção de uma indústria cinematográfica nacional. Ainda precisamos de muitos <em>Divã</em>, <em>Se Eu Fosse Você</em>, <em>O Auto da Compadecida</em> e <em>Dois Filhos de Francisco</em>, pois os brasileiros só vão deixar de ir ao cinema para ver comédias norte-americanas, quando tivermos uma boa oferta de títulos nacionais. Afinal, para a maioria das pessoas, o cinema é exclusivamente uma forma de entretenimento e escapismo.</p>
<p>Publicada no <a href="http://www.guiadasemana.com.br/Sao_Paulo/Cinema/Noticia/O_cinema_brasileiro_no_Diva.aspx?id=54435" target="_blank">Guia da Semana</a></p>
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		<title>Che Guevara embrulhado para presente</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Mar 2009 15:03:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>cyntiacalhado</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ 
Soderbergh vende versão capitalista do revolucionário em filme sem alma
Transpor uma personalidade como Ernesto Guevara de la Serna para o cinema não é tarefa fácil. O revolucionário, que se transformou em mito, está presente no imaginário coletivo, seja como herói ou assassino. Portanto, independente da posição ideológica que o norte-americano Steven Soderbergh tomasse para conduzir [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cyntiacalhado.wordpress.com&blog=2082627&post=97&subd=cyntiacalhado&ref=&feed=1" />]]></description>
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<em>Soderbergh vende versão capitalista do revolucionário em filme sem alma</em></p>
<p>Transpor uma personalidade como Ernesto Guevara de la Serna para o cinema não é tarefa fácil. O revolucionário, que se transformou em mito, está presente no imaginário coletivo, seja como herói ou assassino. Portanto, independente da posição ideológica que o norte-americano Steven Soderbergh tomasse para conduzir a narrativa, iria dividir a opinião do público. O diretor de <em>blockbusters</em>, como <em>Traffic</em> e a franquia <em>Onze homens e um segredo</em>, diante desse impasse, optou por repaginar “Che”, suavizando sua postura e ideologia.</p>
<p>O capitalismo foi hábil em ressignificar o guerrilheiro, transformando sua imagem em objeto de consumo. Soderbergh apenas adere a esse movimento tornando “Che” Guevara uma figura palatável para o grande público. Benício Del Toro interpreta, portanto, um comandante ético, intelectual e eficiente no cumprimento de suas funções revolucionárias, seja no front ou cuidando de feridos. Um herói que precisa ir contra adversidades, como sua asma ou guerrilheiros traidores.</p>
<p><em>Che</em>, que compõe o díptico com <em>Che – A Guerrilha</em> (a ser lançado em maio), acompanha a trajetória de Fidel, Raul Castro, do próprio “Che” Guevara e outros guerrilheiros rumo à libertação de Cuba da ditadura de Fulgêncio Batista, apoiada pelos Estados Unidos durante a Guerra Fria. Como qualquer filme de guerra hollywoodiano, este enfatiza as cenas de ação, ressaltando as estratégias, hierarquia e regras próprias do combate, o treinamento de novos recrutas, a assistência aos feridos, entre outros aspectos do cotidiano da batalha.<br />
  <br />
Porém, como a guerrilha em questão tinha a particularidade de estar amparada na ideologia socialista, o diretor insere algumas falas em <em>off </em>do médico argentino discursando contra o imperialismo, a opressão e o capitalismo e a favor da liberdade dos povos da América Latina. Afinal, é necessário colocar uma pitada de cor local nas cenas de ação e dar pequenos momentos de alegria aos que têm apreço pelo socialismo. </p>
<p>Um dos poucos acertos do filme está na fotografia. As imagens da guerrilha na floresta, de um verde marcante, são intercaladas com cenas em preto e branco, da ida do protagonista às terras <em>yankees</em> para divulgar os ideais da revolução. Estabelece-se então, um contraste interessante entre o “Che” em combate, vivo, e o burocrata, sem cor.</p>
<p><em>Diários de Motocicleta</em>, o longa protagonizado por Gael García Bernal e dirigido pelo brasileiro Walter Salles, apesar de ser um <em>road movie</em>, privilegia a reflexão do jovem argentino na viagem pela América Latina. As tomadas mais longas e um profundo respeito e admiração na forma de construir o personagem compõem um retrato tocante e poético de um período decisivo na formação intelectual do então estudante de medicina.</p>
<p>O filme de Walter Salles é admirável, pois ele tem consciência que a história do revolucionário não cabe na fórmula do cinema comercial norte-americano. Era necessário um diretor com mais talento e personalidade para levar às telas a aventura de 86 jovens que, “movidos por grande sentimento de amor à humanidade, justiça e verdade”, segundo o protagonista, transformaram Cuba no primeiro país socialista da América. Afinal, assim como na guerrilha, não é possível fazer cinema sem paixão.</p>
<p>Publicada no <a href="http://www.guiadasemana.com.br/Sao_Paulo/Cinema/Noticia/Che_embrulhado_para_presente.aspx?id=53651" target="_blank">Guia da Semana</a></p>
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		<title>Vencedor do Oscar pasteuriza cultura indiana</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Mar 2009 14:09:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>cyntiacalhado</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><img class="aligncenter size-full wp-image-90" title="quem-quer-ser-um-milionario" src="http://cyntiacalhado.files.wordpress.com/2009/03/quem-quer-ser-um-milionario.jpg?w=460&#038;h=348" alt="quem-quer-ser-um-milionario" width="460" height="348" /></p>
<p>Desculpem-me os entusiastas de <em>Quem Quer Ser Um Milionário?</em>, mas esta crítica não é elogiosa. O filme, como se sabe, ganhou sete prêmios Bafta, quatro Globos de Ouro e oito Oscar, colocando-se como a produção de maior destaque no cinema comercial deste ano. Primeiro, é bom enfatizar que o Oscar e o Globo de Ouro são premiações voltadas para a indústria cinematográfica norte-americana, mas, devido à força imperialista deste cinema, os filmes vencedores são valorizados e largamente consumidos mundialmente. A história do cinema comprova também que entre a lista de vencedores do Oscar não necessariamente estão os filmes mais relevantes daquele ano, como <em>Cidadão Kane</em>, por exemplo, que recebeu apenas o prêmio de melhor roteiro adaptado, em 1942.</p>
<p>Apesar de <em>Quem Quer Ser Um Milionário?</em> ser baseado no livro <em>Sua Resposta Vale um Bilhão</em> do indiano Vikas Swarup, realizado com atores amadores indianos (o protagonista é inglês) e filmado em Mumbai, trata-se de uma produção inglesa. Portanto, o longa reflete uma visão estrangeira sobre a Índia. O país, onde 455 milhões de habitantes sobrevivem com menos de 1,25 dólar por dia, foi colônia britânica até, pasmem, 1947. Portanto, como um cineasta pode filmar a pobreza de uma nação da forma estetizada como fez, sabendo que seu país foi responsável por isso? É muito cruel.      </p>
<p>O inglês Danny Boyle parece incoerente quando afirma detestar <em>Cidade de Deus </em>e as comparações feitas entre seu filme e o brasileiro. Em entrevista, César Charlone, diretor de fotografia do longa sobre o bairro carioca, diz que seu amigo e fotógrafo da produção inglesa, Anthony Dod Mantle, gosta muito de <em>Cidade de Deus</em>. Não há como negar que a câmera na mão, os enquadramentos e as cores saturadas que adquirem a favela de Mumbai não são influencias do filme de Fernando Meirelles. Tanto que, uma das críticas que o filme tem recebido na Índia, o de fazer &#8220;pornografia da miséria&#8221;, é outra versão da polêmica da cosmética da fome, levantada na época do lançamento de <em>Cidade de Deus</em>.</p>
<p>Há outros aspectos que aproximam as produções. O desfecho da trajetória do favelado Jamal Malik é o mesmo de Buscapé: a ascensão social justificada pelo caráter. De acordo com a lógica do filme, o correto e sofrido Jamal sabe as respostas por força do destino, assim como Buscapé consegue o trabalho no jornal por não ter se corrompido com o tráfico e a criminalidade. Os longas apresentam soluções individuais para o problema estrutural da desigualdade social nos subdesenvolvidos, Índia e Brasil.</p>
<p>Já que a vida na Índia parece despertar a atenção da Academia, por que não premiar uma produção local? Claro que não, afinal não é interessante correr o risco de disputar mercado com Bollywood, a indústria que produz mais filmes no mundo. Premia-se então o conto de fadas pós-moderno de Boyle que atrai pela forma exótica e palatável que o país é retratado, cumprindo as expectativas do público ocidental e ignorando a cultura indiana.</p>
<p>Se quiser saber mais sobre a Índia e sua produção cinematográfica, em vez de assistir <em>Quem Quer Ser Um Milionário?</em> (ou a novela <em>Caminhos das Índias</em>), confira um dos ótimos longas indianos em cartaz na mostra <em>Bollywood e o Cinema Indiano</em> na Cinemateca Brasileira, de 17 a 29 de março.</p>
<p>Publicada no <a href="http://www.guiadasemana.com.br/Sao_Paulo/Cinema/Noticia/Filme_pasteuriza_cultura_indiana.aspx?id=52393" target="_blank">Guia da Semana</a></p>
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		<title>O poder dos encontros</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Feb 2009 19:51:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>cyntiacalhado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Hollywood]]></category>
		<category><![CDATA[Kate Winslet]]></category>
		<category><![CDATA[O Leitor]]></category>
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		<category><![CDATA[Stephen Daldry]]></category>

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No longa de Stephen Daldry, as vidas do jovem de 15 anos, Michael Berg (David Kross), e da mulher madura, Hanna Schmitz (a magnífica Kate Winslet), se cruzam em um dia chuvoso em que ele passa mal na rua. Ela o ajuda a ir para casa e ele descobre, posteriormente, que está com escarlatina. Depois [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cyntiacalhado.wordpress.com&blog=2082627&post=82&subd=cyntiacalhado&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><img class="aligncenter size-full wp-image-86" title="thereader21" src="http://cyntiacalhado.files.wordpress.com/2009/02/thereader21.jpg?w=460&#038;h=367" alt="thereader21" width="460" height="367" /></p>
<p>No longa de Stephen Daldry, as vidas do jovem de 15 anos, Michael Berg (David Kross), e da mulher madura, Hanna Schmitz (a magnífica Kate Winslet), se cruzam em um dia chuvoso em que ele passa mal na rua. Ela o ajuda a ir para casa e ele descobre, posteriormente, que está com escarlatina. Depois de se recuperar, o garoto procura Hanna em sua casa para agradecer o gesto. Pelo vão da porta, ele a observa trocar de roupa, mas logo sai correndo, ao notar que ela o viu. Com um misto de excitação e medo, Michael retorna a casa e eles iniciam um intenso relacionamento, que vai durar a vida toda, adquirindo diferentes formas.</p>
<p>As visitas diárias de Michael à casa de Hanna seguem um ritual. Ele lê para ela, eles tomam banho (em algumas cenas ela lava-o com uma postura maternal, o que é muito tocante e diz sobre o tipo de relação ali estabelecida) e, finalmente, fazem sexo. Nos encontros, inocência, pureza e juventude contrastam com dureza e maturidade. É com grande entusiasmo que Michael deixa a companhia dos amigos para se encontrar com ela, diariamente, durante um belo verão, até o dia em que a mulher se muda, sem dar explicações.  </p>
<p>Michael vai para a faculdade de direito, anos depois, e, em um julgamento de crimes nazistas, reencontra sua antiga amante no banco dos réus. Ela é condenada à prisão perpétua, por preferir não revelar um segredo humilhante (em sua visão), mas que reduziria a pena. O garoto também não interfere no julgamento, mesmo sabendo o que Hanna escondia. Atormentado pela culpa, a vida afetiva do advogado, interpretado na fase adulta por Ralph Fiennes, nunca será feliz. Ele tem uma filha, que mal vê e um casamento que não deu certo. É um solitário.</p>
<p>Certo dia na prisão, Hanna, já bem velha, recebe uma caixa cheia de fitas cassete com livros gravados por Michael. Esses objetos devolvem a vida à prisioneira, que passa a decorar a cela e se arrumar. A partir das gravações, um milagre acontece: Hanna pega livros na biblioteca e aprende a ler sozinha. Por meio da literatura, a personagem tem sua sensibilidade recuperada e, por isso, se dá conta da gravidade dos atos que cometeu. Os livros e a indiferença de Michael no encontro na prisão tornam-se pilares da última e decisiva ação desta mulher.</p>
<p>A adaptação do romance homônimo de Bernhard Schlink permite que o espectador testemunhe um tipo de relação que não se encontra nos individualistas dias de hoje. Acompanhamos na tela a extraordinária interferência que uma pessoa pode exercer na vida de outra, a ponto de mudar o curso de tudo o que se segue. É como se o encontro destas almas simbolizasse um marco e os acontecimentos fossem analisados tendo em vista o período anterior àquela relação e posterior. </p>
<p>Michael canalizou sua culpa de não ter ajudado Hanna no julgamento por meio das fitas. O ato é tão sensível e mágico em um mundo em que as pessoas resolvem seus dilemas no divã de um psicólogo e simplesmente seguem suas vidas ignorando o efeito que tiveram sobre outro ser. Por isso, <em>O Leitor</em> parece deslocado de seu tempo, e é bom que seja, para servir de alerta sobre a descartabilidade e utilitarismo que regem as relações atuais.</p>
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